Cash e a fé: “Eu visto preto pelos pobres e decaídos”

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Man In Black
Johnny Cash

Johnny Cash e June

Johnny Cash e June

Well, you wonder why I always dress in black,
Why you never see bright colors on my back,
And why does my appearance seem to have a somber tone.
Well, there’s a reason for the things that I have on.

I wear the black for the poor and the beaten down,
Livin’ in the hopeless, hungry side of town,
I wear it for the prisoner who has long paid for his crime,
But is there because he’s a victim of the times.

I wear the black for those who never read,
Or listened to the words that Jesus said,
About the road to happiness through love and charity,
Why, you’d think He’s talking straight to you and me.

Well, we’re doin’ mighty fine, I do suppose,
In our streak of lightnin’ cars and fancy clothes,
But just so we’re reminded of the ones who are held back,
Up front there ought ‘a be a Man In Black.

I wear it for the sick and lonely old,
For the reckless ones whose bad trip left them cold,
I wear the black in mournin’ for the lives that could have been,
Each week we lose a hundred fine young men.

And, I wear it for the thousands who have died,
Believen’ that the Lord was on their side,
I wear it for another hundred thousand who have died,
Believen’ that we all were on their side.

Well, there’s things that never will be right I know,
And things need changin’ everywhere you go,
But ‘til we start to make a move to make a few things right,
You’ll never see me wear a suit of white.

Ah, I’d love to wear a rainbow every day,
And tell the world that everything’s OK,
But I’ll try to carry off a little darkness on my back,
‘Till things are brighter, I’m the Man In Black.

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O excluído açucara o sangue nos desvãos do cérebro

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“Eu já fui operada várias vezes
Fiz várias operações
Sou toda operada
Operei o cérebro, principalmente”

Stela do Patrocínio


Stela do Patrocínio

Pouco mais de 50 anos, 30 deles internada em hospícios, e mesmo assim Stela do Patrocínio falava poesias. Nasceu em 1941, morreu em 1992, mas o registro de seu texto sobreviveu à boçalidade dos literatos, à incompetência da saúde pública mental brasileira e aos que imaginam a legitimidade da exclusão de pessoas.

Stela do Patrocínio mereceria placa e assento nas academias de letras, mas quem disse que estas lhe estariam à altura? Seu texto vai além do lugar comum das vidinhas arrumadas nas gavetas cheias de vuittons e cardins. Passa pelos desvãos da mente e grita pelos alto-falantes de uma praça de neurônios.

√ Nos desvãos do cérebro
o excluído busca o alimento
para açucarar o sangue √

Quando o prumo entorta, Ledusha Spinardi salva o dia

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Ledusha Spinardi

Ledusha Spinardi

Se há um texto imperdível neste emaranhado das línguas é o de Ledusha Spinardi. Poesia, canções, crônicas de jornalista, essa mulher, registrada Leda Beatriz Abreu Spinardi, costura letras em tecido de papel e bytes. Ela tem alma intensa de carioca, mas nasceu em Assis, São Paulo. Mora em Sampa traduzindo livros pra vender e escrevendo poesia pra viver. Já foi parceira de Lobão e Cazuza, Bebel Gilberto, Fernanda Porto e Francis Hime. Ledusha vale cada palavra que captura em sua prosa refinada. Suavemente como quem beija na boca.

 

A praxis da doçura

Ledusha Spinardi

Sem eco algum nessa sexta
sem peito de homem
pra repousar a cabeça
e ouvir o trot…e de seu coração
fiz um bolo
coberto de suspiros.


Eletricidade

música, Fernanda Porto
letra, Ledusha Spinardi

Como numa amorosa cantiga
Hoje, com aquele espanto da primeira dor
Acordei chorando
Rodando o apartamento
Uma entrevista de Godard na mão
Três fantasias na cabeça
O teto tão baixo
Fui até o centro
Lírico Ulisses devorador de milk-shakes

Em passos rápidos dizia pro espelho das vitrines
Alô, Marina Vladi, imitando aquele jeito do cabelo
Alto-falantes das lojas me arrepiam

Por pouco não me sinto enamorada
Aí, soprando um café de máquina
Com a voz do Rei na barriga
Jobim no coração
Espelho caixa de contatos
Assobio no elevador
Uma canção me consola
Enquanto mamãe faz tricô
Penélope distraída
Preciso sair de casa

Se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada

ROMBOS

La femme n’existe pas. (J. Lacan)
Ledusha Spinardi

Marta é tão delicada que escolheu deixar saudades. Lia comprou palmeiras e depois cadê varanda? Virgínia engoliu parafusos, sentindo
a falta dos seus. Lídia aboliu o sexo e agora só vai de ópera e dieta à base de aipo. Silvia trocará as cortinas e as próteses mamárias.
Dulce deixou a análise e mandou o fulaninho, de carrinho, enfim, às favas. Vilma atravessa os domingos nadando em champanhe e ciúme.
Suzana amou sem reservas e casou-se com o bandido. Clarice fechou-se em copas quando a mãe foi fazer ginástica. Paula se faz de artista,
mas é mesmo uma mimada. Sílvia ensaiou tanto o tapa que desmilingüiu-se em beijos. Marilena era cretina, só mandava bem no
papo. Laís fez o que não pôde pra salvar o casamento. Eulália queimou suas cartas mas guardou os envelopes. Clara sonha com Veneza enquanto devora suspiros. Renata nem pensa em ter filhos, apesar do alto salário. Norma diz que se mata caso o cachorro só lata. Rita rendeu-se ao gringo, agora que ficou surda.

Terra em Transe para ver na íntegra na internet

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Cena de Terra em Transe

Cena de Terra em Transe

O youtube está mirando em se tornar uma Internet TV e especula-se que até o final de 2012 mudanças acontecerão no portal, com a adoção do pay-per-view para séries, shows e filmes. Mas enquanto a era do pagar pra ver não chega, eles estão testando novos formatos, e de graça. Nesta segunda, assisti em casa, na TV, “o Homem do Futuro”, com Wagner Moura. Sem querer copiar os sites de cinema, mas já copiando, vou postar aqui alguns filmes importantes para a história da sétima arte. O primeiro, é “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, de 1967, com Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy, Glauce Rocha, Paulo Gracindo e outros.

“É só o vento e nada mais!”

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The Raven
(by Edgar Allan Poe, first published in 1845)

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
” ‘Tis some visitor,” I muttered, “tapping at my chamber door;

      Only this, and nothing more.”

Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,

      Nameless here forevermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me—filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
” ‘Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,
Some late visitor entreating entrance at my chamber door.

      This it is, and nothing more.”

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
“Sir,” said I, “or madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you.” Here I opened wide the door;—

      Darkness there, and nothing more.

Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearing
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word,
Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,

      “Lenore!” Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping, something louder than before,
“Surely,” said I, “surely, that is something at my window lattice.
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.
Let my heart be still a moment, and this mystery explore.

      ” ‘Tis the wind, and nothing more.”

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,

      Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
“Though thy crest be shorn and shaven thou,” I said, “art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night’s Plutonian shore.”

      Quoth the raven, “Nevermore.”

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning, little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door,
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,

      With such name as “Nevermore.”

But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;
Till I scarcely more than muttered,”Other friends have flown before;
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before.”

      Then the bird said,”Nevermore.”

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
“Doubtless,” said I, “what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master, whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster, till his songs one burden bore,—
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore

      Of “Never—nevermore.”

But the raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;,
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore,
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore

      Meant in croaking, “Nevermore.”

Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom’s core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion’s velvet lining that the lamplight gloated o’er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o’er

      She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
“Wretch,” I cried, “thy God hath lent thee — by these angels he hath
Sent thee respite—respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!”

      Quoth the raven, “Nevermore!”

“Prophet!” said I, “thing of evil!–prophet still, if bird or devil!
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted–
On this home by horror haunted–tell me truly, I implore:
Is there–is there balm in Gilead?–tell me–tell me I implore!”

      Quoth the raven, “Nevermore.”

“Prophet!” said I, “thing of evil–prophet still, if bird or devil!
By that heaven that bends above us–by that God we both adore–
Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore—
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?

      Quoth the raven, “Nevermore.”

“Be that word our sign of parting, bird or fiend!” I shrieked, upstarting–
“Get thee back into the tempest and the Night’s Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!
Leave my loneliness unbroken! — quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!”

      Quoth the raven, “Nevermore.”

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon’s that is dreaming.
And the lamplight o’er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor

      Shall be lifted— nevermore!

Durma com o inimigo, mas não goze

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Acordei hoje com o inimigo. Li logo cedo um artigo sobre Edward Bernays, uma espécie de pai das Relações Públicas modernas. Em português de verdade, foi o cara que construiu a propaganda como nós a percebemos. Sobrinho de Freud, utilizou conhecimentos de psicologia para construir esse sistema capaz de manipular a opinião pública. Escroto? Ele não achava.

Edward Bernays

Edward Bernays

Para Bernays, a sociedade humana tem tantas irracionalidades que precisa desses controles para manter algum nível de democracia. O sujeito era esperto, porque o que ele queria mesmo era defender o status quo, a estrutura de poder que nos mantém a todos prisioneiros.

“The conscious and intelligent manipulation of the organized habits and opinions of the masses is an important element in democratic society”. Falou e disse, mas eu não gosto de ser manipulado Mr. Bernays. Se há quem goste, paciência!

Mas o ponto central dessa história é que não pode haver controle sem a mídia de massa: propaganda, jornais, TVs, rádios, internet, cinema, CDs, DVDs e pendrives. Percebe a força desse negócio? Texto, imagem, vídeo e música, todas manifestações de humanidade, necessitam desses suportes que seus autores não controlam. E a palavra manipulada é ferramenta desse negócio.

Muitos dos autores estão a serviço do status quo, ingênua ou intencionalmente. Palavras são cunhadas ou “aperfeiçoadas” para promover o controle psicológico do cidadão. Na política, “comunista” ou “nazista” já foram (ou são?) quase palavrões. Usei esses exemplos pra mostrar que o processo não tem viés ideológico. Todos usam, da direita à esquerda, da luta armada ao pacifismo.

Guerrilheiro ou terrorista?

Guerrilheiro ou terrorista?

Nos anos de 1960, os movimentos que se intitulavam de esquerda eram formados por “guerrilheiros”. Depois de Bin Laden, o outro lado referendou o termo “terrorista”. E fomos nós a reboque, mentalmente abduzidos por palavras que criam sentidos e compreensões alienígenas no que acreditamos ser a nossa opinião pessoal. Que ingenuidade, né não?

O julgamento das massas manipuladas pela mídia do status quo não é exato e rigoroso. Não há justiça nos essetejotas da vida. Bernays sabia disso. Por isso às vezes é preciso dormir com o inimigo para compreender suas verdadeiras intenções. Só não faça como puta brasileira. Durma mas não goze.

☛ Edward Bernays foi eleito pela Life, em 2010, uma das 100 maiores personalidades do século 20.
☞ E foi mesmo, para o status quo.

☛ Edward Bernays está lá, no Museu das Relações Públicas.
☞ Leia com moderação.

“Guardar pra amanhã” não existe mais no jornalismo

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Encontrei esta semana com dirigentes de portal de vídeos. Seus nomes não serão revelados para preservar suas identidades num meio em que a crítica geralmente desce a níveis de programa “mundo cão”. A primeira observação do rapaz foi, ante a visão de uma rotativa imprimindo, “aquele mundo ali morreu e ainda não percebeu”.

Rotativa de árvores

Rotativa de árvores

Concordei, mas não queria. Sei que muitos jornalistas, principalmente os mais velhos, acreditam que aquela boca enorme que come árvores todos os dias vai sobreviver e encontrar seu nicho neste mercado capitalista da comunicação. Estão errados e não acho correto abrir polêmica com eles, até pela importância histórica que carregam.

Mas não dá pra não escrever sobre o problema dos impressos, principalmente em um momento em que a própria televisão também dá sinais de cansaço. Alguém já notou que nos telejornais e programas jornalísticos tem sempre um chat com especialista anunciado após a notícia?

Um dia desses William Bonner, ao final da nota e do JN, avisou que aquele assunto continuava no site. É como dizer: “Não assista a novela que vem a seguir. Vá pro nosso portal saber mais”. A mídia TV mandando você trocar para a mídia internet. E sem medo de perder.

Record e o público teen...

Record e o público teen…

As demais redes correm atrás e seus portais já incluem os finados “furos” dos programas que virão a seguir na programação. Ninguém quer perder a audiência dos milhões de brasileiros que estão nas redes e a cada dia têm uma banda larga maior ainda para assistir vídeos e filmes. Mas nos jornais e revistas, o processo é mais difícil.

Band e o "agora"...

Band e o “agora”…

A maioria dos jornalistas de jornal acredita que aquilo ali é “o jornalismo”, na clássica confusão entre criatura e criador. Jornalismo é criador, impresso é criatura, viu? Há veículos que vetam a utilização de alguns conteúdos em seus portais de internet, sob a falsa premissa de que é possível reservar para o jornal o que todo mundo já sabe hoje.

O diagnóstico é muito específico, embora não revele marcas. Integração, uma palavrinha bonita, é pouco entendida por jornalistas e produtores de conteúdo. No impresso, seria a capacidade de informar seu leitor que há mais daquele conteúdo num determinado portal, como faz o Jornal Nacional, o da Band e o da Record à noite.

Globo TV

Globo TV

Definitivamente, não dá mais pra “guardar pra amanhã” a notícia que essa garotada de hoje já encontrou nas redes, blogs e portais. Quem pensa assim não percebeu que a poderosa Rede Globo criou a globo.tv —> http://globotv.globo.com/ <— e já passa jogo ao vivo que nem seus canais abertos estão passando.

Logo eles estarão ao vivo no portal e cada um vai ver onde for mais prático. Já os impressos…

¡Queda Prohibido!, de Pablo Neruda

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¿Qué es lo verdaderamente importante?,
busco en mi interior la respuesta,
y me es tan difícil de encontrar.
Falsas ideas invaden mi mente,
acostumbrada a enmascarar lo que no entiende,
aturdida en un mundo de irreales ilusiones,
donde la vanidad, el miedo, la riqueza,
la violencia, el odio, la indiferencia,
se convierten en adorados héroes,
¡no me extraña que exista tanta confusión,
tanta lejanía de todo, tanta desilusión!.
Me preguntas cómo se puede ser feliz,
cómo entre tanta mentira puede uno convivir,
cada cual es quien se tiene que responder,
aunque para mí, aquí, ahora y para siempre:
Queda prohibido llorar sin aprender,
levantarme un día sin saber qué hacer,
tener miedo a mis recuerdos,
sentirme sólo alguna vez.
Queda prohibido no sonreír a los problemas,
no luchar por lo que quiero,
abandonarlo todo por tener miedo,
no convertir en realidad mis sueños.
Queda prohibido no demostrarte mi amor,
hacer que pagues mis dudas y mi mal humor,
inventarme cosas que nunca ocurrieron,
recordarte sólo cuando no te tengo.
Queda prohibido dejar a mis amigos,
no intentar comprender lo que vivimos,
llamarles sólo cuando los necesito,
no ver que también nosotros somos distintos.
Queda prohibido no ser yo ante la gente,
fingir ante las personas que no me importan,
hacerme el gracioso con tal de que me recuerden,
olvidar a todos aquellos que me quieren.
Queda prohibido no hacer las cosas por mí mismo,
no creer en mi dios y hallar mi destino,
tener miedo a la vida y a sus castigos,
no vivir cada día como si fuera un último suspiro.
Queda prohibido echarte de menos sin alegrarme,
odiar los momentos que me hicieron quererte,
todo porque nuestros caminos han dejado de abrazarse,
olvidar nuestro pasado y pagarlo con nuestro presente.
Queda prohibido no intentar comprender a las personas,
pensar que sus vidas valen más que la mía,
no saber que cada uno tiene su camino y su dicha,
sentir que con su falta el mundo se termina.
Queda prohibido no crear mi historia,
dejar de dar las gracias a mi familia por mi vida,
no tener un momento para la gente que me necesita,
no comprender que lo que la vida nos da, también nos lo quita.

Meio soneto das marés

Como a maré eu subo e desço
De oceano eu baixo e cresço
Água pesada que vai ao fundo
Afogada como todo mundo

Como lua em rodopio no céu
Vivo ciclos de vinte e oito ao léu
Diminuo igual pinto morto de frio
Encho cântaros como um rio

Hemorragia que sangra em veias
Artérias liquefeitas tal qual cheias
Hemácias que explodem curvas

Buraco negro de brancas luvas
Escuridão de toda esquina
Estanca o nanquim da minha sina