Consumidor de informação não liga pra convergência

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Convergência. Eita palavrinha da moda no jornalismo! Mas o que será que é mesmo convergência?

Convergência

Convergência

Para responder, é preciso fazer como Jack Estripador: vamos por partes. Se pensarmos em convergência tecnológica, podemos dizer que “é um termo que, de uma maneira geral, é utilizado para designar a tendência de utilização de uma única infra-estrutura de tecnologia para prover serviços que, anteriormente, requeriam equipamentos, canais de comunicação, protocolos e padrões independentes”. Simples assim, porque está na Wikipedia.

Por esta ótica, tem gente achando que o jornalismo vai acabar inteiro nos portais de internet. Texto, foto, vídeo, infografia e o escambau. Será? Ninguém sabe a resposta. O gráfico mostra que uma nova mídia aparece sempre com uma curva apontando pro céu, mas com o correr do tempo as linhas vão de alguma maneira convergindo (olha aí de novo a tal da convergência). A informação original está em Horizontalidade, novas mídias, informação e comunicação, de Marcos Luiz Mucheroni.

Mais o que é que esse gráfico tem a ver com jornalismo? A resposta é curta: Nada. Essa é uma confusão de convergência de mídias. Sobre isso o ex-Globo José Bonifácio de Oliveira, o Boni, deu uma entrevista pra Folha desbancando o termo convergência e levando a conversa pro lado da abragência. Veja aqui a entrevista.

Pro jornalismo, o que valem são as linguagens. E aí, malandro, texto é texto, TV é TV e fotografia é fotografia. Alguém me explica aí como elas vão convergir? Não vão, mano. O que o sujeito que escreve pra jornal vai poder fazer é dar um plus pra quem está lendo e acrescentar em algum lugar a informação: “Quer ver um vídeo sobre esse assunto? Clique aqui”.

Já o cara do vídeo pode acrescentar um layer  que indique: “Leia mais sobre esse assunto aqui”. Simples assim.

Convergência e abrangência são assuntos pros gerentes, não pros jornalistas. Para os editores, o que interessa é aumentar o nível de informação de seu público e oferecer outras linguagens. O portal não precisa de chamada no jornal e o jornal não precisa de um leia mais na internet. Quem precisa disso é o usuário dessas mídias, para enriquecer sua experiência informativa.

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Maria: uma mulher à frente do seu tempo

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Maria Martins

Maria Martins

O Brasil tem uma dívida com sua história praticamente impagável. Provavelmente ela nunca será paga, porque o brasileiro – eu no meio – tem memória curta e sofre com a colonização imposta pela indústria do entretenimento a serviço do status quo.

Abordo este assunto porque lembrei de um livro: “Maria Martins, uma biografia”, 2004, de Ana Arruda Callado, é uma dessas tentativas de pagar o impagável. Conta a história de uma artista que o Brasil não conhece.

Maria foi amiga de Picasso, Léger, André Breton e Piet Mondrian. Artista genial, foi também mecenas, escritora, embaixatriz. Viveu amores proibidos, um deles com Marcel Duchamp, conviveu com poderosos e teve poder.

Pegando emprestado de CDA, Maria de Lourdes Faria Alves Martins, filha de senador da República, trocou o destino de dondoca e foi ser guache na vida. Teve amantes de vários matizes, como o duce Mussolini.

Um outro livro, “Maria”, de Francis M. Naumann, Dawn Ades, José Resende e Veronica Stigger, de 2010, faz uma compilação de sua obra espalhada pelo mundo. É um registro único do trabalho dessa brasileira.

Leia mais em:
Livro reúne obra de Maria Martins, primeira surrealista na América Latina
Maria Martins, uma biografia

Crença

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Escultura de Maria Martins

Escultura de Maria Martins

Não acredito em quem não dança
nos que não conseguem falar alto
ou tocar tambor numa parada qualquer
Não acredito nos que se escondem
preferem pensar como os suburbanos
à ebulição de viver com sofreguidão
Não acredito nos que se calam sempre
na facilidade do ignorar e da ignorância
Prefiro os párias, os decaídos e os tontos
afinal, viver é muito mais que sobreviver.

Não faça do seu fêicebuqui um panfleto eleitoral

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As redes sociais estão expondo nesta eleição a nova cena em que se move o jornalismo. Há cabos eleitorais postando propaganda como se fosse notícia e funcionários indicados ou contratados por partidos reproduzindo no fêicebuqui e twitter a poluição visual em que se transformaram as cidades. Também há os ingênuos que acreditam, é claro, numa ou noutra proposta ou em partidos.

Propaganda na rua e na internet

Propaganda na rua e na internet

Lembrei de um post antigo de Jorginho Ramos no FB para um jovem jornalista não expor sua imagem. Sinceramente, não sei como será daqui pra frente, mas é preciso uma reflexão. Não sairemos incólumes das redes, creio. Antigamente vendíamos nossa força de trabalho, mas não havia a exposição desses tempos pós-modernos e pelo menos pros de fora preservávamos a consciência.

Aninha Franco, em seu perfil no FB, botou o dedo numa ferida e terminou acertando em cheio nos que usam versões para explicar o mundo. Mas o mal não vem sem o bem do lado. As redes sociais tiram a todos do anonimato das antigas assessorias. O jornalismo-assessor brasileiro nunca copiou o modelo americano do porta-voz. Assessorávamos mas não mostrávamos a cara ao tapa. Agora mudou.

*Marcos Venancio Machado não acredita em partidos (só em alguns inteiros), em salvadores da pátria, tiranos ou governos de qualquer matiz.

Contra a barra pesada use a inovação

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Capa do relatório

Capa do relatório

A Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês) publicou nesta quinta-feira o relatório “Tendências nas Redações 2012”. O documento foi dividido em sete capítulos que relacionam tópicos como evolução das redações, apps, modelos de negócios digitais, mídia social, como impulsionar o engajamento do leitor, questões éticas para as redações e aprendendo com a competição.

O fato é que a (re) evolução digital segue célere e as tarefas de jornalistas, editores e redações estão mudando na mesma velocidade. Um editor atualmente precisa concentrar seu tempo e esforço para a elaboração de conteúdos digitais e relacionamento nas mídias sociais, enquanto continua produzindo um produto impresso em papel de alta qualidade.

A barra está pesada para o jornalista e única maneira de aliviá-la é focar na inovação sem deixar de acompanhar o desenvolvimento do jornalismo provocado pelos novos atores, incluindo jornalistas cidadãos, blogs e, claro, a informação que brota como vulcão de redes como Twitter, Facebook, Pinterest e outras.

O PDF do relatório é restrito a membros da WAN, mas você pode tentar aqui ⬇
Trends in Newsrooms 2012

Sobre príncipes, princesas e lobos

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Príncipe encantado que nada! Bom mesmo é o lobo mau, que te ouve melhor, te vê melhor e ainda te come melhor!

Garotas Perversas

Príncipe ou lobo?

Príncipe ou lobo?

Muitas mulheres e homens que conheço sonham com um príncipe encantado. Ele não tem gênero definido, nem é ômi nem mulé, como diz o sertanejo. É uma idealização do sentimento humano de querer sempre o melhor. O querer como posse.

Homens heterossexuais querem mulheres estonteantes, embora a maioria nem saiba o que fazer com “aquilo” na hora H, princesas encantadas de bunda grande e pernas grossas. É da natureza voyeur do masculino.

Mulheres imaginam homens altos, musculosos, inteligentes, bem-sucedidos. É da natureza de perpetuação da espécie, dos filhos protegidos pelo príncipe encantado que a evolução natural selecionou.

As relações sociais mudaram, a mulher de quadril largo lá de cima não é mais necessária para garantir nascimentos saudáveis e sem riscos. O macho musculoso não serve mais para proteger a prole, mas o cérebro reptiliano continua ali dentro.

Desde Lunik 9 Gilberto Gil profetizava o fim da idealização, do romance e (estou forçando a barra, sei…) dos príncipes e princesas encantados. Que nada! A propaganda reinventou a lua e o espaço.

Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar

O dia dos namorados é pra isso. Pra falar do princeso que não apareceu e da príncipa que sumiu nas ruazinhas do shopping center. Chegar atrasado pra ver a amada porque as lojas estavam lotadas e comprar seu perdão com orquídeas de papel.

Sapos e lobas, correi!

Sapos e lobas, correi!

Príncipes e princesas encantados de mãos dadas, corações de crepom por todo canto. Dia de reafirmar amores eternos e laços que nem faca afiada corta. Sapos e lobos devem se cuidar e pedir proteção ao Ibama. Mas a vida real do cinema é muito melhor.

No filme “Sete dias com Marilyn”, sobre as filmagens de “O príncipe encantado”, de Laurence Olivier, uma frase desmonta o mito do príncipe. “Olivier é um grande ator que quer ser uma estrela e Marilyn é uma estrela que quer ser uma grande atriz”.

A película de Olivier é mal dirigida, tem um roteiro fraco, e é Marilyn quem salva a produção. O príncipe britânico é o sapo e ela a princesa.

Neste Valentine’s Day tupiniquim, esqueça o ideal, mande o príncipe à merda, mas, por precaução, não esqueça de comprar as rosas…

Sem os humanos não tem jeito, baby

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Você sabe o que é sucateamento?

Sucateamento de gente

Sucateamento de gente

Não, não tem nada a ver com não renovar equipamento, deixar máquinas estragando, sem reposição. Também não é tirar peças de um lugar para remendar outro. Sucatear, numa empresa, corporação ou grupo social, é se privar dos melhores, é se livrar de gente com a desculpa de que é preciso cortar para evitar o… SUCATEAMENTO.

Pois é. É assim que a alguns grupos fazem para se livrar de uma crise de momento e terminam afundando mais e mais na própria lama que geram. Porque quando tudo parece estar pra lá de Bagdá, quando o galo não canta, quem faz a diferença é o ser humano. E quanto mais conhecimento e experiência tiver, melhor.

Gente é o lugar
De se perguntar o um

Gente, Caetano Veloso

Basta uma olhada nos enunciados do livro “Os elementos do jornalismo”, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, para entender porque o fator humano é tudo:
1) A primeira obrigação do jornalismo é com a verdade.
2) Sua primeira lealdade é com os cidadãos.
3) Sua essência é a disciplina da verificação.
4) Seus praticantes devem manter independência daqueles a quem cobrem.
5) O jornalismo deve ser um monitor independente do poder.
6) O jornalismo deve abrir espaço para a crítica e o compromisso público
7) O jornalismo deve empenhar-se para apresentar o que é significativo de forma interessante e relevante.
8) O jornalismo deve apresentar as notícias de forma compreensível e proporcional.
9) Os jornalistas devem ser livres para trabalhar de acordo com sua consciência.

Não é questão de discurso, mas de prática. De nada adianta dizer A e fazer B. Quando a porca torcer o rabo, sem os humanos sucateados lá atrás, não vai ter mais jeito, baby!

Casos recentes
O sucateamento da Rádio Eldorado pelo Grupo Estado
O desmonte da Cultura em São Paulo – a música sucateada

Sobre o futuro
Um novo jornalismo é possível…
The Impact of the Internet on Journalism: An Examination of Blogging, Citizen Journalism, and a Dot.Com Solution for the Online Edition
Fama e anonimato, de Gay Talese (nas livrarias)
Os elementos do jornalismo, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel (nas livrarias)

* Esse é um texto de ficção. Qualquer semelhança com pessoas, entidades ou grupos atuais é mera coincidência.

Inutilidade pública: quatro dicas para manipular alguém

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prestidigitação
Significado de Prestidigitação
s.f. Arte de prestidigitador, presteza de mãos, escamoteação; ilusionismo.
Sinônimos de Prestidigitação
Sinônimo de prestidigitação: ilusionismo
Definição de Prestidigitação
Classe gramatical de prestidigitação: Substantivo feminino
Separação das sílabas de prestidigitação: pres-ti-di-gi-ta-ção
Plural de prestidigitação: prestidigitações
dicionário online de português

Mano manipulado!

Mano manipulado!

Também conhecida como manipulação, a prestidigitação está no dia-a-dia das pessoas sem que elas percebam. É o patrão que tenta lhe enrolar com promoção sem aumento de salário, político usando palavras de ordem para engabelar e levar seu voto, namorada-namorado-marido-mulher ao dizer que tem uma festa pra ir, mas acha que não vai quando se sabe que já foi, o filho-filha que conta aquela história só pra conseguir alguma coisa, o amigo-amiga que se diz constrangido (a) pra não conversar a sério.

A lista é grande e o problema é que você também usa essas técnicas de vez em quando. A palavra permite a interação e a manipulação. O quanto o cidadão suporta ser enganado ou enganar é a questão. A semiótica da manipulação tem várias faces e em todas o manipulador tenta fazer o sujeito acreditar num determinado valor que lhe é alienígena, mas que ele vai assimilar como seu, como sua ideologia. Da mesma maneira que os profissionais de branding da publicidade.

Uma delas é a tentação, em que o manipulador propõe um valor positivo. Igualzinho aos profissionais da propaganda, sua intenção é ligá-lo à ideia. Exatamente como a publicidade de cerveja quer induzir o consumidor a pensar que beber aquela marca significa sermos bonitos, saudáveis, gostosos e parecidos com Paris Hilton.

Quando atentar sua libido só não basta, passa-se ao estágio da intimidação. Um exemplo claro  disso é o dos maços de cigarro que associam fumar a perder a virilidade: “Fume, que seu pau vai ficar como essa cinza caída”.

Se você não pode ser tentado ou ameaçado, passa-se à provocação. Neste grau, o manipulador julga a falta de consistência do manipulado e joga na cara dele alguma coisa como “você precisa de um carro novo pra conquistar aquela mina”. Funciona muito com homens e mulheres.

No fim da linha, sem conseguir tentar, intimidar ou, principalmente, provocar, a manipulação pode ser tentada com a sedução. Basta identificar em você um ponto positivo e juntar-se a ele. A campanha de Obama fez isso muito bem. Lembra da frase “Yes, we can”?

Pois é mano! Tem sempre alguém tentando fazer mágica com você. Mas o inverso também é verdadeiro. Esse texto, por exemplo, é uma forma de manipulação. Leia com moderação, é a minha sugestão, pra utilizar um modelo da técnica de sedução.