Taba boa

A Taba de Zemar não era formada por índios, nem xavantes, nem apaches. Eram quase todos pretos, a maioria bantus, herdeiros da sabedoria dos velhos Vitório, Lídio, Juvêncio, Martins. Veranistas, como eu, só entravam depois de prova de coragem, sabedoria ou eficiência. Eram poucos. Havia também a Taba de Marco Leoa, mas dessa a turma da rua de baixo sabia pouco. Afinal, eram os “inimigos”, rivais nos babas do Largo do Céu.

Zemar, olhando hoje, à luz dessas teorias mudernas, era o líder perfeito da taba. Seu exemplo guiava os companheiros. Nada de teorias, discursos empolados ou lero-lero. Caráter, lealdade, amizade valiam pra tudo. Futebol nas areias da praia de Itapuã, roubar caju e coco. Tudo era permitido, na proibido. Aliás, pra dizer a verdade, havia proibições, sim. Perder a pelada podia, mas perder o amigo por causa dela, não.

Bons tempos aqueles da taba…

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