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O noticiário bizarro e sensacionalista gera, quase sempre, os grandes sucessos de audiência dos portais de notícia mundo afora. Neste momento, no G1, por exemplo um dos mais vistos é: “Funcionária de cruzeiro de luxo é atacada por crocodilo enquanto aproveitava dia de folga”

Tudo bem, é uma notícia copiada do The Sun e esses caras são bons em manchetes sensacionalistas. Mas por que será que o portal da Globo não destacou um de seus links mais vistos? Os motivos podem ser vários, mas um deles, com certeza, chama-se “sabemos ler as entrelinhas”.

Bizarrices…

Recentemente, uma notícia me chamou a atenção num portal aqui da Bahia: “Nicole leva 1º corno pós-reconciliação com Victor Ramos”. Com certeza estava entre os campeões de audiência naquele momento. Será que o internauta quer mesmo esse tipo de “notícia”? A julgar pelos page views, sim.

Voltando à resposta do segundo parágrafo sobre as tais entrelinhas, ela está no Iambito da “vergonha” do jornalista de usar esse tipo de noticiário. A questão é: isso não é jornalismo, mas entretenimento barato para plateias específicas. Funciona num primeiro momento, atrai a atenção de muitos, mas, desculpe o trocadilho, não dura.

O status quo tem uma tríade: Comércio, Informação e Entretenimento. O primeiro gera a renda que paga os outros dois. A informação leva o sujeito para o terceiro. O entretenimento doura a pílula dos dois primeiros, lubrifica a ganância do comércio e a aspereza da informação.

− Vídeo do autor sobre internet e poder

E por isso é tão descartável: num dia é o corno dado em alguém, no outro o show de Madonna no Brasil. Abre espaço até para a arte (entretenimento≠arte e Carla Perez≠Tom Jobim), para retroalimentar o comércio e a indústria da informação. As três pernas sustentam o mundo das corporações.

Entretenimento bizarro, sensacionalista e inútil cumpre seu papel na manutenção do status quo. Não tem ideologia, porque está a serviço da manipulação. O papel do jornalista (analógico ou digital) é saber disso. Durante a ditadura, escrevíamos nas entrelinhas para driblar patrões e censores.

Estamos como o futebol brasileiro: desaprendemos o drible e passamos a jogar feio.

Marcos Venancio Machado trabalha com jornalismo digital desde 1995, já criou portais e no momento coordena a implantação de internet TV. É também consultor para a área.

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