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PignatariO poeta Décio Pignatari, que morreu recentemente, colocava o conteúdo de uma lado e a forma do outro. É sempre mais fácil discutir o conteúdo do que entender se determinada manifestação é boa e bem feita ou não. Pignatari foi um dos expoentes da poesia concreta e sabia muito do que falava e escrevia.

No jornalismo dessa era multimídia, que ainda não superou a justaposição de texto, áudio, vídeo etc., a maioria de nós continua pensando em um ou outro isoladamente. Dando consultoria nesta área há muitos anos, percebo que o problema está no condicionamento a que foram submetidos os jornalistas.

A tecnologia está aí e pode ser usada, mas quem sabe disso? Nos grandes portais de notícias, as diversas linguagens estão lá, estanques, separadas. E a coisa piora quando se percebe que muitos de nós começamos pelo texto e permanecemos nele, apesar de tudo que mudou. Privilegiamos o conteúdo à forma, como apontou Pignatari.

Tradicionalmente, sons e imagens foram colocados a serviço do texto. Deusa maior de quase todas as culturas ocidentais, a palavra sempre esteve no primeiro degrau do pódium. A literatura era a arte maior, o escritor, o rei do pedaço. Restava aos pintores e músicos o lugar dos “exóticos”.

Mas o ciberespaço exorbitou, lançou no mercado um novo público criado à sombra da arte digital e expôs a incongruência da separação das mídias. No caso da narrativa jornalística, o público quer mergulhar na notícia, enxergar o visual de vídeos e imagens, ouvir, compartilhar e interpretar o texto.

Deixei o texto por último no parágrafo de cima aleatoriamente, porque não há ordem ou primazia de um ou de outro. As barreiras ao jornalismo integrado que esses tempos digitais cobram não estão nas tecnologias ou no investimento das empresas, mas na capacidade de reinvenção do jornalista e do estudante.

PS: Ao idealizar uma notícia, não corra pro bloquinho ou notebook. A informação pode ser contada com imagens, quando estas forem mais explicativas, completadas com o contexto, e aí a palavra é genial. Se houver emoção, um vídeo ou locução podem ser eficientes, e a participação do usuário final pode vir das redes.

Link para consultar
Jornalismo multimídia online desafia rotinas e valores da profissão e da sociedade

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