Tags

, ,

Acordei hoje com o inimigo. Li logo cedo um artigo sobre Edward Bernays, uma espécie de pai das Relações Públicas modernas. Em português de verdade, foi o cara que construiu a propaganda como nós a percebemos. Sobrinho de Freud, utilizou conhecimentos de psicologia para construir esse sistema capaz de manipular a opinião pública. Escroto? Ele não achava.

Edward Bernays

Edward Bernays

Para Bernays, a sociedade humana tem tantas irracionalidades que precisa desses controles para manter algum nível de democracia. O sujeito era esperto, porque o que ele queria mesmo era defender o status quo, a estrutura de poder que nos mantém a todos prisioneiros.

“The conscious and intelligent manipulation of the organized habits and opinions of the masses is an important element in democratic society”. Falou e disse, mas eu não gosto de ser manipulado Mr. Bernays. Se há quem goste, paciência!

Mas o ponto central dessa história é que não pode haver controle sem a mídia de massa: propaganda, jornais, TVs, rádios, internet, cinema, CDs, DVDs e pendrives. Percebe a força desse negócio? Texto, imagem, vídeo e música, todas manifestações de humanidade, necessitam desses suportes que seus autores não controlam. E a palavra manipulada é ferramenta desse negócio.

Muitos dos autores estão a serviço do status quo, ingênua ou intencionalmente. Palavras são cunhadas ou “aperfeiçoadas” para promover o controle psicológico do cidadão. Na política, “comunista” ou “nazista” já foram (ou são?) quase palavrões. Usei esses exemplos pra mostrar que o processo não tem viés ideológico. Todos usam, da direita à esquerda, da luta armada ao pacifismo.

Guerrilheiro ou terrorista?

Guerrilheiro ou terrorista?

Nos anos de 1960, os movimentos que se intitulavam de esquerda eram formados por “guerrilheiros”. Depois de Bin Laden, o outro lado referendou o termo “terrorista”. E fomos nós a reboque, mentalmente abduzidos por palavras que criam sentidos e compreensões alienígenas no que acreditamos ser a nossa opinião pessoal. Que ingenuidade, né não?

O julgamento das massas manipuladas pela mídia do status quo não é exato e rigoroso. Não há justiça nos essetejotas da vida. Bernays sabia disso. Por isso às vezes é preciso dormir com o inimigo para compreender suas verdadeiras intenções. Só não faça como puta brasileira. Durma mas não goze.

☛ Edward Bernays foi eleito pela Life, em 2010, uma das 100 maiores personalidades do século 20.
☞ E foi mesmo, para o status quo.

☛ Edward Bernays está lá, no Museu das Relações Públicas.
☞ Leia com moderação.

Anúncios