Como a maré eu subo e desço
De oceano eu baixo e cresço
Água pesada que vai ao fundo
Afogada como todo mundo

Como lua em rodopio no céu
Vivo ciclos de vinte e oito ao léu
Diminuo igual pinto morto de frio
Encho cântaros como um rio

Hemorragia que sangra em veias
Artérias liquefeitas tal qual cheias
Hemácias que explodem curvas

Buraco negro de brancas luvas
Escuridão de toda esquina
Estanca o nanquim da minha sina

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