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A Linguística … está encharcada com o sangue de poetas, teólogos, filósofos, filólogos, psicólogos, biólogos e neurologistas…

Russ Rymer
saiba mais em www.russrymer.com

Russ Rymer

Russ Rymer

Frases inocentes! Pensei nisso e em Rymer passando os olhos nos jornais desta segunda, em casa, com o Macbook no colo, enquanto conversava via Facebook-Skype com a jornalista que divide ideais e conta bancária comigo.

Veneno por defensivo

Veneno por defensivo

Um termo na capa chama a atenção: “defensivo agrícola”. Mais conhecido como agrotóxico, veneno, para os mais íntimos, está lá na chamadona incrivelmente transmutado numa frase aparentemente banal.

Outra: “saúde do filho de Leonardo inspira cuidados”. Claro, o rapaz está em coma, depois de um acidente. Se não precisasse de cuidados seria um campeão da saúde e caso pra estudo da medicina. Aliás, a saúde de todos precisa de cuidados.

A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro

Noam Chomsky

As frases inocentes do jornalismo têm uma função. Enganar o sujeito que está do outro lado, dourar a pílula, retirar da notícia sua principal informação. Um blogueiro de uma revista nacional escreveu esta semana uma frase “sensacional”.

Falsa denúncia de homofobia no Fantástico deixa claro porque a tal lei anti-homofobia não pode ser aprovada

Não vou dizer o nome porque não quero

Imbecilização?

Imbecilização?

A “lógica” da frase é de fazer corar. O disfarce frasístico serve apenas ao objetivo de legitimar a opinião enviesada do autor. Cá pra nós, alguns jornalistas deveriam estar enquadrados no artigo 171.

Não vou entrar no clichê de dizer que o jornalismo esportivo é a vitamina dos clichês. Não é verdade, porque o mal é generalizado, mas algumas frases são mesmo “fenomenais”. Reportagem de jogo parece sempre um zero a zero.

Saiba mais em O jornalismo esportivo sob o império dos clichês

Desligue-se

Desligue-se

Como diria Paulo Francis, “jornalismo é uma questão de ênfase”. Em português, que o finado era mais fluente no inglês, tudo depende de como se diz ou se escreve a frase. Aí, veneno vira defensivo e acusado, suposto assassino.

O jornalismo vive, desde Gutemberg, o dilema de se fazer entender rapidamente e por isso criou clichês para facilitar essa tarefa. É rúim, né? Mas fica pior quando a frase inocente entra na parada para distorcer, enganar e arruinar vidas.

Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo. Construindo uma boa reputação ou destruindo uma.

Tom Wolfe

Comunicação espetaculosa

Comunicação espetaculosa

Em algumas consultorias de jornalismo que fiz na vida, sempre fui cobrado pelo contratante sobre não dizer a verdade ao consultado para não perdê-lo. Nunca optei por lustrar com Kaol. Jornalista enganado às vezes fica calado, mas a consultoria é inútil.

Metido no meio de um negócio intitulado “Comunicação” (não sei se por má-fé ou não), o jornalismo terminou ficando na vizinhança da propaganda. Aliás, muito bem camuflada em outras palavras inocentes: publicidade e marketing.

Ao contrário delas, não é profissão para vaidades, boçalidades e sumidades.

Não tem que agradar ao dono, ao político, a nós mesmos. Tem que agradar ao público.

Ricardo Kotscho

Vaidosos, boçais e especialistas em quase tudo são os sujeitos mais comuns entre jornalistas, salvo meus amigos, que esses eu defendo com unhas e dentes e todas as frases inocentes que puder usar.

Acredito em qualquer coisa, desde que seja inacreditável.

Oscar Wilde

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