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No press, Dylan?

No press, Dylan?

Uma data comemorativa na ABI, uma palestra do jornalista Paolo Marconi e um artigo muito bom de Claudio Leal no Bahia em Pauta. A repercussão nas redes sociais foi pequena, mas, pra quem sabe ler as entrelinhas, há razões para isso.

Não estive lá, mas me amparo no texto de Leal.

Paolo Marconi, fez uma palestra polêmica e repleta de análises ferinas sobre os jornais baianos, constrangendo alguns dos veteranos presentes à celebração do Dia do Jornalista.

Marconi, com quem trabalhei nos anos de 1990, na então Agecom, autor de “A Censura Política na Imprensa Brasileira”, livro referência nesta área, falou da subserviência da mídia baiana ao poder público estadual e municipal.

Abordou também a pressão de setores da economia sobre os jornais e o atrelamento de alguns blogs a interesses comerciais. Claudio Leal abre aspas para Marconi.

Jornalista que se vende dá um tiro no próprio pé

O “constrangendo alguns dos veteranos” citado no artigo é pertinente, ou alguém duvida da afirmação? Desde muito tempo as colunas dos jornais eram usadas para conseguir o “por fora” de muita gente.

Com o advento dos blogs, muitos dos que alguns chamam de coleguinhas (me tire dessa, please) passaram a conseguir uns trocados graúdos, utilizando as mesmas técnicas do passado, com ênfase no achaque puro e simples.

Em poucas palavras, o problema não está só nas empresas, que se vendem ao poder econômico, mas nas velhas práticas da categoria, que ao invés de tentar mudar o jogo do capitalismo midiático, obtendo melhores salários, prefere o caminho mais fácil.

Twitter e notícia

Twitter e notícia

Neste sentido, estão todos condenados, pelo menos na teoria.

As empresas de comunicação estão na encruzilhada da desintermediação. Seu público alvo não precisa mais delas. Dados da Hi-Mídia, do Grupo RBS, e da M.Sense, que pesquisa o mercado digital, mostram a influência de Twitter e Facebook nessa área.

Leia AQUI

Já o jornalista padece de falta de organização e luta sindical, presente em várias outras categorias. Um amigo meu, de outra área, chama-nos de “eita classe desunida!”. Não conseguimos nem reivindicar direito o reajuste salarial anual.

Para sobreviver, aceita qualquer salário ou, pior, faz que aceita e parte pra ganhar por fora. Como no caso das empresas, manda a credibilidade pro espaço. E ainda enfrenta a concorrência dos cidadãos produzindo seus próprios conteúdos jornalísticos, e sem jabá…

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