Tags

, , ,

Filmes da Kodak

Filmes da Kodak

No início deste ano um símbolo da indústria pediu concordata, depois de tentar durante uma década sair do atoleiro em que se meteu. A Kodak foi a responsável pela popularização da fotografia, quando George Eastman inventou o filme em rolo. Mas, peraí, o que a falência da Kodak tem a ver com o assunto-mor deste blog?

Tem. A outrora gigante incentivou as pessoas a fotografarem e virou sinônimo de fotografia amadora. Os jornais popularizaram o jornalismo a ponto de essa arte ter incorporado a designação da mídia, como demonstra o negrito aí atrás. A Kodak morreu e os impressos vivem (ou tentam viver) lutando para permanecer.

Vamos voltar à Kodak pra entender isso. A indústria de Eastman sempre focou seu negócio no filme. As máquinas fotográfica eram apenas o instrumento para vendê-los em vários formatos. Em síntese, a empresa que vendia fotografia popular achou que seu negócio era a mídia, não a ideia.

A mídia jornal

A mídia jornal

Durante décadas incentivou dirigentes oriundos de faculdades de vendas e engendrou um staff conservador, focado no produto. Mais ou menos como as empresas do jornalismo impresso mundo afora. E qual é mesmo o negócio dos jornais? Vendê-los nas bancas todos os dias? Claro que não!

A resposta rápida seria vender informações organizadas a partir de critérios jornalísticos e de interesse da audiência. Mas, durante as décadas recentes, vem colocando nas redações jornalistas focados na produção de informações para o formato papel, naquilo que os extintos copydesks chamavam de trocar o hoje pelo ontem.

Até aí tudo bem, porque a operação era essa mesmo. O problema é que naturalmente esses jornalistas chegaram aos postos mais altos nas redações e levaram consigo a mentalidade “hoje por ontem”. Recentemente Clóvis Rossi escreveu na Folha de S. Paulo sobre o jornalismo, usando como mote o fim da versão impressa da Britânica.

  • Não leu? Tem uma cópia do artigo AQUI
Redação pré-cibernética

Redação pré-cibernética

Análise perfeita, que concluia pela morte do papel, não do jornalismo. O trabalho jornalístico no século 21 tem questões que precisam ser respondidas, como a participação do cidadão comum nas coberturas. Mas aí é preciso complementar: que tipo de jornalista comandará as novas redações?

Isso parece como o dilema da política, religião e do futebol. Cada um tem uma opinião. No caso da Kodak, as recentes tentativas para salvá-la foram feitas pelos que acreditavam que a empresa ainda vendia filmes. E aí a inventora da fotografia amadora foi vencida por milhões de amadores que passaram a usar celulares para isso.

Anúncios