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Delacroix e a Revolução Francesa

Delacroix e a Revolução Francesa

A sociologia define “revolução” como uma ruptura violenta com a ordem social e política até então em vigor (me consertem aí sociólogos, que eu sou amador). Nesta terça, alguma coisa parecida com isso aconteceu no Brasil. Milhares foram às ruas para exigir respeito aos que utilizam a bicicleta como meio de transporte e de lazer.

Não houve violência. Foi tudo pacífico, mas foi uma revolução. A mobilização, gerada nas redes sociais, tirou de casa milhares de pessoas que poderiam estar em casa, depois de um dia de trabalho, na zona de conforto do lar-doce-lar, para promover uma mudança na cabeça dos que não saíram.

Hannah Arendt associa as revoluções ao fato de elas sempre provocarem um reinício, a instauração de nova ordem social e política, com liberdade. Karl Marx, expropriado de suas ideias por algumas revoluções que inspirou, acrescenta a necessidade de uma nova justiça social no bojo das revoluções.

A Bicicletada Nacional teve os dois componentes. A proposta de novo reinício, com o câmbio do modelo atual do transporte urbano, e uma forma de convivência mais justa no trânsito das grandes cidades. São objetivos de longo prazo. Afinal, as revoluções não são o bálsamo milagroso do Dr. Silvana.

Havia ciclistas nas ruas de quase todas as cidades brasileiras, pedalando para mudar a atual realidade selvagem do trânsito brasileiro. No atual modelo, somos todos bárbaros selvagens, motoristas, motociclistas e pedestres, enfrentando-nos no dia-a-dia do asfalto e dos congestionamentos.

Os ciclistas provaram nesta terça que uma nova realidade pode ser parida e ser bem diferente. Ainda bem.

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