Hoax, o boato ao sabor do clique

Hoax, o boato ao sabor do clique

Aquarius não deu as caras, depois de mostrar as canelas no anos de 1970. A liberdade não chegou e a vizinhança do lago azul da paz e do amor ficou distante. Hoje vivemos a “Era do Clique”, que permite um tipo de liberdade única na história do bípede pensante sobre Gaia. A faculdade de clicar no que quisermos.

Mais do que escrever, pintar, fotografar ou moldar o barro, podemos compartilhar coisas belas, poemas de Ginsberg, frases de Clarice, pinturas de Goya. Podemos também disseminar pensamentos preconceituosos, inverdades ululantes, mentirinhas de toucador, hoax e boatos estapafúrdios.

Como diria aquele seguidor no tuíter, f✬d✖u. Esta semana li um artigo muito bom de neurociência: —> “A ciência do esquecimento“. No segundo parágrafo, o autor diz que “nunca seremos capaz de policiar a internet para evitar que as pessoas publiquem falsidades”. Nunca se conseguiu isso, desde os tempos dos pictogramas nas cavernas.

A diferença é que agora a desinformação ganha asas de jato supersônico. A compreensão do verdadeiro é um dos desafios da humanidade. Quando alguém, com uma ideia falsa, é submetido à verdade, pode reagir de duas formas. Se a “verdade” é convincente, abandona a premissa “falsa” e internaliza a nova informação. Se não, continua com a anterior.

A qualidade da informação depende do número de adeptos de sua premissa. Quando todos achavam que a terra era chata, essa era a “verdade” mais convincente. Tanto que Colombo precisou navegar para convencer mais pessoas de que a Terra é redonda. Com mais gente convencida ficou fácil trocar o antigo pelo novo.

Desinformação online

Na internet esse processo é, de certa forma, caótico. A facilidade do clique, a leitura apressada e a interface não-amigável das telas de computador, tablets e smartphones complica tudo. Além disso, os boatos chegam a mais pessoas mais rapidamente e estabelecem-se como “informação verdadeira”, que todos internalizam rapidamente.

Exemplo prático: No Facebook está circulando o hoax abaixo:
“Pessoal, o Facebook mudou: todos os comentários, os cliques sobre “curtir” serão a partir de agora públicos no Google. Gostaria que fizessem um favorzinho: – passem o cursor por cima do meu nome, esperem que a pequena janela se abra, cliquem sobre “assinado” e retirem a subscrição de “comentários e opções curtir”. Se m…e pedirem, farei o mesmo, e desta maneira os nossos comentários sobre amigos e família não serão tão divulgados! Obrigada e gostaria que me informassem se o fizerem! Copie esta nota em seu status se quiser que o mínimo de suas informações sejam de domínio público!!!”

Marquei as palavras-chave do texto.
Facebook mudou
: claro, o FB muda todo dia. O boato abre com uma verdade óbvia.
curtir —> Google: a ligação FB-Google é feita à distância e indiretamente, associando o curtir do primeiro com a marca do segundo.
não serão tão divulgados: o tão é uma medida subjetiva, usada pelos que não querem informar corretamente as quantidades.
Copie esta nota: a informação chave para um boato se multiplicar, copiar, CTRL-C CTRL-V, e pronto a desinformação ganha adeptos e se estabelece como verdade.

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