Sem saída

Sem saída?

Beco sem saída?
Essa é a pergunta geral dessa primeira década do século 21, com o planeta ameaçado de colapso, a reinvenção das crises econômicas anunciadas, a letargia da maioria e o fracasso recente de algumas ideologias.

No nosso caso, em particular, o jornalismo passa por um momento crucial. A informação nunca foi tão disseminada. Está a um clique. Mas é privilégio de minoria. O Facebook festeja seus 600 milhões de usuários, mas e os restantes 5,5 bilhões que a ▶ Planilha Google – Banco Mundial ◀ aponta?

Esses estão no limbo, cozinhando em fogões à lenha, como até o ▶ Correio Buritiense ◀ noticia, vivendo na periferia desse sistema baseado na exclusão, sem feicebuqui, sem jornal, alijados do compartilhamento.

Mas a realidade fora dos números sempre é muito pior. Nas redações tradicionais, ainda há jornalista fora da rede. Estabeleceu-se uma divisão na profissão. Os “online” e os “off line”. A ▶ Rede Globo ◀, por exemplo, acaba de criar uma diretoria-executiva para o “jornalismo em tempo real”, chefiada por Luiz Claudio Latgé. Não deveríamos estar todos conectados com o que está acontecendo? Existe “jornalismo em tempo irreal”?

Há ainda a precarização da profissão, especialmente no Brasil, onde o conhecimento e a experiência não valem mais nada. Sem a intenção de discutir ou não a obrigatoriedade do diploma, o movimento do STF ao extinguir sua exigência incentivou a troca de jornalistas por estagiários. As redações estão cheias de garotos.

A garra dessa galera faz bem ao jornalismo, mas não dá pra deixar que eles sejam, sozinhos, os porta-vozes da notícia para o consumidor de informações. Alguma coisa vai dar errado nisso aí. Aliás, já deu. Cada vez há menos leitores de impressos e os portais usam artifícios para mascarar a audiência.

Help, I need some lifeguard!

Help, I need some lifeguard!

As empresas de comunicação estão como o quase afogado, batendo os braços pra não afundar e se livrando da roupa e dos sapatos para flutuar um pouco mais. Se não morrer, o afogado aí do lado vai ficar sem vestes e calçados. Há excessões e o diretor de Marketing do Wal-Mart, ▶ Marcos Carvalho ◀ fala sobre como mudar.

Juntando tudo para separar a verdade, a realidade da rua e do beco é que há bilhões fora do processo de comunicação, jornalistas desconectados e empresas de comunicação se achando no terceiro milênio mas vivendo como no século passado.

O livro de Amaury Jr. sobre a roubalheira das privatizações foi ignorado pela grande mídia. Está vendendo muito, mas não mereceu uma linha ou nota coberta sequer, salvo raras excessões como a Record News, que o ▶ Blog do Miro ◀ destaca.

E o beco sem saída? Bem, ele tem uma saída, sim, e a repercussão de A Privataria Tucana na web provou isso. É preciso incluir os bilhões que estão de fora no processo. Em Portugal, ▶ 40% nunca acessaram a internet ◀. Imagine na África, nos rincões do Brasil. Os governos precisam avançar na direção de garantir saúde, educação, segurança e inclusão digital.

Salve a revolução, mas o lema agora é “Liberté, égalité, fraternité, e-inclusion”.

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