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Manhã de uma quarta-feira, em Salvador, na Bahia, lançamento de uma revista num restaurante fino da cidade. Para marcar o novo título, palestra sobre…
o fim dos impressos!

Não se assuste, não. Foi isso mesmo. Impresso lançado com blá-blá-blá sobre  o futuro da mídia celulose. O acontecimento mostra bem como o papel da comunicação está mudando da água para o vinho.

Redação de impresso

Redação de impresso

As antigas redações ainda não percebem claramente o processo. Dezenas de jornalistas, num frenesi estressante, para obter e reproduzir notícias que já nascem velhas, porque focam no factual, no que aconteceu ontem.

Há quem diga que os mais novos cada vez lêem menos. Não é verdade. O fato é que a moçada cada vez folheia menos. A leitura continua acontecendo nos netbooks e nos tablets, inclusive de notícias e literatura.

Eucalipto

Eucalipto

Os jornalões só foram possíveis graças ao subsídio, que financia o papel e a exploração de  latifúndios onde árvores exógenas tomam o lugar de florestas nativas para a extração de um tipo de pasta branca legal.

A produção mundial de madeira é de 3,3 bilhões de m3 por ano. Mais da metade de toda a madeira do mundo é produzida nos Estados Unidos, China, Índia, Brasil, Indonésia e Canadá, exatamente nesta ordem.

Em 1999, metade da produção (1,53 bilhão de m3) era destinada à indústria  e 27% desse total produzia papel e celulose. Poucos países concentram a produção. EUA e Canadá respondem por mais da metade de toda a produção mundial.

Produção brasileira (1999)

Produção brasileira (1999)

Os maiores exportadores mundiais são Canadá, EUA, Suécia e Brasil, que representam  mais de 60% do total. No Brasil, a área plantada para papel e celulose alcança um número gigantesco: 4.805.930 hectares, a Bahia no meio, com 451.790 hectares de eucalipto.

É um setor muito forte na economia, com ramificações na política e nas empresas de comunicação. Alguém já viu, leu ou ouviu algum deles criticando o desperdício de terras e recursos para a produção de papel?

Por trás, há ainda a poderosa indústria gráfica, que produz rotativas, impressoras planas, tintas, chapas e outros. Um importante engenheiro da área gráfica disse há uns anos que o castelo só não caía naquele momento por causa disso tudo.

Mas o que é que tem a ver o lançamento da revista, que, por sinal, não tem uma versão eletrônica, com isso tudo? O negócio, que antes não poderia cair por causa da grana envolvida, agora se autoquestiona. Está ficando inviável.

* Números do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola e Sociedade Brasileira de Silvicultura

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