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Carpe diem

Carpe diem não, Horário

A marca desse mundo pós-moderno é o não-querer, o distanciamento, o aqui-e-agora. Não repartir conhecimento, planos, ideias. Cada um tem seu armário, seu tempo é exclusivo, não inclusivo.

Sempre estranhei repartir escova de dente, mas aprendi a fazê-lo. O papo que rolava enquanto, de porta aberta, fazia o que meu filho chama de “número um”, mas aprendi. Também aprendi a levantar antes para fazer o café, forte como ela gosta.

Despir-se totalmente, tirar todas as máscaras, rir do umbigo dela, comprar apartamento, tirar férias juntos, chorar nos mesmos enterros, repartir tristezas e alegrias. Depois, comecei a pensar que Horácio, quem diria, afinal, venceu. Carpe diem para todos:

Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi Tu não indagues (é ímpio saber) qual o fim que a mim e a ti os deuses
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios tenham dado, Leuconoé, nem recorras aos números babilônicos. Tão
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati. melhor é suportar o que será! Quer Júpiter te haja concedido muitos
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam, invernos, quer seja o último o que agora debilita o mar Tirreno nas
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare rochas contrapostas, que sejas sábia, coes os vinhos e, no espaço
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi breve, cortes a longa esperança. Enquanto estamos falando, terá
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confiada no de
aetas: carpe diem quam minimum credula postero. amanhã.

Mas redescobrir o novo mundo ainda é possível. Nem tudo está perdido. Encontrei com a blogueira Camila na internet e o texto brilhante de “O amor tem lhe feito falta?” e a inquietação do partilhar, de não viver apenas o hoje. A verdade em “agora quero dividir minha vida com você”.

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