Platão propunha a existência de dois tipos de conhecimento: o intermediado pelos signos, tido como menor e mais corrompido, e o que é absorvido diretamente do link entre mente humana e mundo superior das idéias, divino, portanto. Aí chegamos à questão signo x símbolo.

O Sol nasce ou sobe?

O Sol nasce ou sobe?

Só com filósofo alemão Hegel o divórcio entre signo e símbolo acontece. A palavra escrita é signo, representando um conteúdo diferente do que exprime em si mesma. O símbolo é a própria expressão de sua natureza, como os pictogramas gravados nas cavernas pelo homem primitivo. Por isso diz-se que só é possível filosofar em alemão.

Wilhelm von Humboldt, irmão do famoso explorador e naturalista Alexander, foi além. Para ele, as línguas têm diferenças estruturais que influenciam a capacidade de compreensão humana. Em alemão, a visão do mundo é diferente da do inglês, português ou japonês. “The sun rises” (sobe) em inglês, mas “nasce” em português.

O que eu tenho a ver com isso? > Com a notícia, aconteceu um caso recente, com a “privatização” do Elevador Lacerda na mídia tradicional e nas redes sociais. Todo mundo reproduziu a “informação” de que o símbolo da Bahia seria “vendido” a uma empresa privada. E o símbolo aí viria bem a calhar, mas não foi usado. Preferiu-se o signo “privatizar”, usou-se a palavra escrita para omitir o verbo “terceirizar”.

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