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Jovens voltam-se agora para o webvídeo

Recente pesquisa nos Estados Unidos aponta que 55% dos jornalistas acreditam que os jornais impressos vão perder importância nos próximos 10 anos. Os números parecem ir contra as perspectivas de momento. Apesar dos recentes casos de manipulação de informações, invasão de privacidade, as tiragens permanecem estáveis e as empresas, depois de ajustes, ainda são lucrativas e suas ações estão estáveis nas bolsas.

Então, por que será que os jornalistas americanos estão tão pessimistas quanto ao meio jornal? Alguém sabe de outra profissão com tal alto grau de pessimismo? Creio que se trata de uma percepção “caseira”, quase empírica. A leitura dos jornais evidentemente despencou entre as novas gerações. Isso é visível em casa, com os filhos, sobrinhos, a galera mais jovem. Além disso, as empresas jornalísticas regionais enfrentam dificuldades. Enquanto os grandes vão bem, os pequenos sentem mais na pele os efeitos da era digital.

Nos EUa, por exemplo, nos anos de 1960, 80% dos adultos liam jornais. No final dos anos de 1990, esse percentual havia caído par 58%. Há muitas razões para isso, como o advento da internet, da pressa da vida nas grandes cidades, mas uma delas parece mais forte. Os jornais perderam a ligação direta com o cidadão. Lembro que nos anos de 1980, num jornal que trabalhei, gente de toda a cidade telefonava para informar de um problema no seu bairro, na sua rua. Eram dezenas de ligações por dia. Os repórteres chamavam essas reportagens de “bobó”, pejorativamente.

Ninguém gostava de fazer, mas isso ligava o veículo diretamente ao cidadão, que tinha no jornal um canal para extravasar seus problemas, para fazê-los chegar aos governantes, aos políticos. Esse tipo de cobertura deixou de ser feita e perdeu-se o elo. O sujeito que telefonava ficou órfão e deixou de se interessar pelo jornal que o ignorava. Para piorar, esse gap e a internet afastaram o jovem da leitura de jornais. Nossos filhos não vão, no futuro, se interessar por um meio que lhe é estranho. É bom lembrar que essa turma iniciou-se na TV, passou para os videogames e agora está na cola do webvídeo.

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