By mim mesmo

Chacrinha

O Velho Guerreiro

Um tema vem me chamando a atenção nos últimos meses. As redes sociais e seu impacto no trabalho do jornalista. Há umas semanas estive em Manaus, onde encontrei jornalistas que, como eu, também tinham as mesmas preocupações. Na mesma época, em São Paulo, as questões continuavam. De que maneira Facebook, Twitter, Linkedin e outros vão alterar a relação do antigo emissor com o receptor?

Meu raciocínio circula e lembrei de um fato recente, quando uma jornalista reclamou de meus posts. Outro, que fala comigo sempre, não aceitou o pedido de amizade no Facebook. E aí comecei a pensar cá com meus botões. Se eu telefonasse, eles atenderiam? Mais pra trás. Se escrevesse uma carta, eles leriam? É quase certo. Clareou. Está no nome delas: “redes sociais”. Não são redes de amigos, ora bolas, apesar de o FB, por exemplo ter adotado a associação com “amizade”.

O Twitter foi mais racional. É “seguidor” ou “follower” e pronto. As redes estão aí para facilitar e agilizar a comunicação entre pessoas. Como o papel de uma carta, ou o aparelho de telefone que se usa para falar com alguém. Mas aonde eu quero chegar com essa conversa? Quero me conectar com as pessoas para quem vou selecionar notícias relevantes, interagir com elas e apontar fatos que lhes são pertinentes.

Acabou a via de mão única do jornalismo, embora a maioria ainda aja como se ela continuasse. Vejo posts e textos de jornalistas todos os dias, em blogs, redes, sites, rádio, TV ou jornal. A maior parte do que leio ignora solenemente o outro lado, que não é mais receptor. A antena agora é dual band, moçada. Blz, mas e aí? Como mudar?

Não tenho a resposta, ainda, mas imagino que o caminho a seguir pode ser definido com o verbo “conectar”. É preciso ouvir mais e deixar apontar “verdades”, que geralmente são apenas do jornalista. Parafraseando Chacrinha, “quem não se conecta, se estrepa!”

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